Aprofundamento sobre a liturgia católica
Segundo a doutrina da Igreja Católica, a liturgia é a celebração do “Mistério de Cristo e em particular do seu Mistério Pascal”, sendo por isso “o cume para onde tendem todas as ações da Igreja e, simultaneamente, a fonte donde provém toda a sua força vital”.
Através deste serviço de culto cristão, “Cristo continua na sua Igreja, com ela e por meio dela, a obra da nossa redenção”. Mais concretamente, na liturgia, mediante “o exercÃcio do sacerdócio de Cristo”, “o culto público devido a Deus” é exercido pela Igreja, o Corpo mÃstico de Cristo; e “a santificação dos homens é significada e realizada mediante” os sete sacramentos.
Aliás, “a própria Igreja é sacramento de Cristo, pois é através dela que hoje Jesus fala aos fiéis, lhes perdoa os pecados e os santifica, associando-os intimamente à sua oração” e ao seu Mistério Pascal. Esta “presença e atuação de Jesus” na liturgia e na Igreja são assegurados eficazmente pelos sacramentos, com particular destaque para a Eucaristia. Aliás, a Eucaristia, que renova o Mistério Pascal, é celebrada pela Missa, que é por isso a principal celebração litúrgica e sacramental da Igreja Católica. Para além da Missa, destaca-se também a Liturgia das Horas.
Para além do culto de adoração a Deus (latria), a liturgia, embora em menor grau, venera também os Santos (dulia) e a Virgem Maria (hiperdulia), apesar de o culto de veneração a estes habitantes do Céu seja mais associado à piedade popular.
Jesus, como Cabeça, celebra a liturgia com os membros do seu Corpo, ou seja, com a sua “Igreja celeste e terrestre”, constituÃda por santos e pecadores, por habitantes da Terra e do Céu. Cada membro da Igreja terrestre participa e atua na liturgia “segundo a sua própria função, na unidade do EspÃrito Santo: os batizados oferecem-se em sacrifÃcio espiritual [...]; os Bispos e os presbÃteros agem na pessoa de Cristo Cabeça”, representando-O no altar. Daà que só os clérigos é que podem celebrar e conduzir a Missa, nomeadamente a consagração da óstia.
Toda a liturgia, nomeadamente a Missa, é celebrada através de gestos, palavras (incluindo as orações), canto, música, “sinais e sÃmbolos”, sendo todos eles “intimamente ligados” e inseparáveis. Alguns destes sinais são “normativos e imutáveis”, como por exemplo os sacramentos, porque são “portadores da ação salvÃfica e de santificação”. Apesar de celebrar o único Mistério de Cristo, a Igreja possui muitas tradições litúrgicas diferentes, devido ao seu encontro, sempre fiel à Tradição católica, com os vários povos e culturas. Isto constitui uma das razões pela existência das 23 Igrejas sui juris que compõem a Igreja Católica.
A doutrina católica admite no culto litúrgico a presença das imagens sagradas de Nossa Senhora, dos santos e de Cristo, porque elas ajudam a proclamar a mensagem evangélica e “a despertar e a alimentar a fé dos fiéis”. Também segundo esta lógica, a Igreja, à margem da liturgia, aceita e aprova a existência das variadÃssimas expressões de piedade popular, que é o culto privado. Apesar de a Igreja celebrar o Mistério de Cristo durante todo o ano, o seu culto litúrgico centra-se no Domingo, que é “o centro do tempo litúrgico [...], fundamento e núcleo de todo o ano litúrgico, que tem o seu cume na Páscoa anual”.
Embora o culto católico não estivesse “ligado a nenhum lugar exclusivo, porque Cristo”, e logo toda a Igreja, “é o verdadeiro templo de Deus”, a Igreja terrestre tem necessidade de certos lugares sagrados onde ela “se possa reunir para celebrar a liturgia”. Estes lugares, como por exemplo as igrejas, capelas e catedrais, são sÃtios de oração, “as casas de Deus e sÃmbolo da Igreja que vive num lugar e também da morada celesteâ€.
Fonte: Wikipédia
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